quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

POR UM MOMENTO...








ASAS NO CORAÇÃO
(Texto de Kau Mascarenhas)

Eu sei que os pombos são "ratos com asas", são vistos como praga, espalham doenças etc. mas em Veneza brinquei com eles.
Com saquinhos de milho eu os atraí e me diverti. Há sete anos...
Hoje, numa faxina digital, vasculhei arquivos antigos com a intenção de liberar espaço num pen drive e me deparei com esse momento. As fotos nos esnobam porque conseguem congelar os instantes que nossa neurofisiologia esqueceu.
Como teria sido minha vida sem aquele prazer?
E como seria a Praça de São Marcos sem eles? Sem essa poesia volitando em seu céu, ou brincando em seu chão? 
Ali eu era um menino e ele venceu o adulto que me dizia: "são sujos".
A criança na alma desafiava: "e daí?"
Perdeu o limpo, o certo, o adequado.
Venceu o bobo, o feliz, o encantado.
Eu me permiti o mergulho.
Estava sem barba e, igualmente, com menos juízo. Excelente!
Ver-me com essas asas todas nos braços serve para lembrar-me do quanto gosto de voar, apesar dos riscos.
Apaixonar-me, por exemplo, é voar. E é bom.
Pois ficar somente no chão, que é lugar seguro, em algum instante entedia e empobrece.
E assim entendo os das alturas, os que se lançam e os que escalam. Paraquedistas e alpinistas. 
Entendo também os mergulhadores, os saltadores - corajosos e insanos que se jogam.
São todos "sijogosos" e têm muito o que ensinar.
Esse Kau aí das fotos, separado do Kau de agora por sete anos, me diz muita coisa.
Que consiga ouvi-lo.
Pois um dia nos adultificamos e os pombos saem dos braços.
Que nunca saiam do coração.

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Fotos: Sergio Romanelli / Veneza.

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Como anda o seu nível de sijogosidade? Você tem se jogado? Tem se lançado?
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

APRENDIZADO




Rua é Escola: Para quem tem Ouvidos de Ouvir e Sentidos de Sentir

(Texto poético de Kau Mascarenhas)



De onde brotava aquela voz admirável?
No burburinho da avenida um homem cantava e me aquecia o coração.
Era um pássaro sem asas. Um homem sem braços e com imensa sensibilidade.
Num buscador de sentido como eu, comoção inevitável. 
Ele não podia segurar o microfone mas sua arte me tocava, me agarrava.
Questões, reflexão. Seria carinho na alma ou empurrão?
Meus olhos diziam que aquilo era de verdade.
Uma coisa dentro de mim então gritava:
"Se ele não tem braços e canta, o que você pode fazer e não está fazendo?"
Sem resposta em mim. Apenas aquela voz que me chegava, e me cegava. 
Não ouvia mais nada. Nem via mais nada. Nem céu nem chão. 
Nada além daquela arte ali na rua impensável, competindo com os ecos da cidade.
Parei. Nada mais me merecia além daquele show estupendo.
E vinha rock, e depois balada, e a seguir um pop adorável.
Eu poderia dançar, fazer baile naquele chão.
Mas ele não. Aquela voz que não tinha braços, também não tinha pernas. Verdade!
O dinheiro que plantei em seu chapéu, qualquer que fosse, não pagaria
a inspiração que me germinou na alma. Inesgotável.
Sem braços, sem pernas, e tão forte. Só vendo.
Tão mestre sem querer, dando aula de vida no calçadão. 
Pensei em braços e pernas da mente. Em poder. Amplidão. Imensidade.
E ali não foi só um cantar banal numa rua qualquer. Ou qualquer tarde.
Foi mudança. 
Uma ave ferida me deu novas forças, e me senti renascendo.

(Dedicado a você e a sua esposa, Marcos Rossi. Sua arte e sua atitude dando um show de humanidade ali, em plena Av. Paulista, em mim fizeram diferença)

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O QUE DÓI MAIS?





Dor de Sentir e de Calar Emoções 
(Texto e desenho de Kau Mascarenhas)

Não expressar o que sinto seria uma escolha infeliz. Há quem compare o silêncio dos sentimentos com um nó na garganta. Na minha ele é uma corda inteira que aperta o pescoço por fora e entala por dentro.
Tente imaginar-se engolindo um pedaço de corda com todos os seus fiapinhos ferinos enquanto outra parte dela lhe engravata e sufoca.
Exagero? Não, não. Metáfora eloquente.
Sobretudo quando se trata de raiva, tristeza e medo, três emoções básicas do pacote "ser gente”.
Se como humanos vivemos em linguagem e somos mergulhados cem por cento em afetos, sentir essas coisas já é dor e não expressar seria voluntariamente sofrer.
Ou seja torturar-me, animalizar-me ou até deixar de viver.

Torturo-me quando não digo da raiva que sinto. Isso não significa gritar com o outro para desentalar. Posso falar com outro alguém sobre minhas emoções, seja em sessão terapêutica ou na mesa de um bar. Amigos são normalmente ótimos ouvintes. Creio que é o mínimo que espero de um. E quando não dá pra alugar ouvidos camaradas, nem sempre disponíveis, vamos ao divã. A voz do outro tecendo sua própria mirada sobre o que acontece comigo, me empresta novas percepções. E assim, talvez a raiva saia e seja vista, e com ela fora de mim, posso manter mais facilmente alguma sanidade.
Elza Soares diz que "canta para não enlouquecer".
Eu falo, escrevo e desenho para me observar enquanto deixo a mudança acontecer.

Eu me animalizaria se não falasse da minha tristeza. Os bichos nascem prisioneiros dos instintos. Não podem mudar, nem escolhem fazer diferente. Infelizes? Não. Difícil seria encontrar um hipopótamo arrependido no final de sua vida por alguma decisão tomada. Já o humano... ah, o humano! Esse sofre pelo que fez e pelo que não fez, ou alegra-se por isso, se arrepende pelo que disse e pelo que não disse, ou se parabeniza justo por causa disso. Uma barata não se arrepende de falar sua tristeza após te-la sentido. Já que tem sangue de barata, isso ajuda. Mas nós não temos. Falar da tristeza é risco, mas eu a comunico, em meus riscos e poemas.
Cecilia Meireles, sábia, diz "não sou alegre nem sou triste, sou poeta". Curioso... comigo funciona de outro jeito. Compor, escrever poemas, desenhar, falar faz-me ser um oceano quando alegre. E um Saara quando triste. Sou alegre e triste, e sou repleto de tudo quanto é afeto.
Choro e expresso para não me sentir inseto.

Eu morreria se não mostrasse meus medos. Já disseram que coragem está longe de ser ausência de medo. Trata-se de enfrenta-lo, encara-lo.
O medo do julgamento muitas vezes nos faz desistir da virtude, do amor e da paz. Não vendo o medo do novo desistiria de jogar-me na estrada pensando que escolhi ficar. Esquecendo meu medo de ser julgado não escreveria achando que me faltou inspiração. Desconsiderando o medo de amar ficaria sozinho pensando que apenas busco recolhimento. Não notando minhas sombras por medo de sua feiura navegaria por águas rasas de mim mesmo. Mas não observando o medo da minha própria luz, contemplaria somente minha escuridão, o que seria disfarce de humilde autoconhecimento.
E sem me jogar ao novo, sem expressar e sem amar, sem sombra e sem luz, não seria quem sou. Sem mostrar o medo, a raiva ou a tristeza não seria sequer gente. O medo de sentir, e de dizer-me sentindo, me entala e sufoca, e enfim pode me matar.
Lennon era gênio e dizia ter "medo desse negócio de ser normal”, quando o mais normal para quem quer ser normal é ter medo de ser diferente. Cansa e dói enquadrar e enquadrar-se, adequar e adequar-se, fingir não sentir ou calar o que se sente.
É viver mentindo.
Portanto sigo dizendo o que sinto para simplesmente continuar existindo.

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E para você, qual a dor maior? A de expressar ou a de calar?
Que parte mais lhe tocou nesse texto? Abraços com kaurinho!

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(Kau Mascarenhas é palestrante empresarial, tem formações completas em PNL - programação neurolinguística, Coaching Ontológico. É ilustrador e escritor. Diretor do Pro-Ser Instituto.)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

SENTIMENTOS QUE CHEGAM DE GALERA



Começa a sua semana e aqui segue um presente: texto poético e desenho saídos do forno. Abraços com kaurinho!

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Com quem chega o Amor?
(texto poético e ilustração de Kau Mascarenhas)

Amor nao é emoção sozinha. Você já se deu conta disso?
Sempre vem acompanhado de amigos, outros sentimentos, outras sensações.
Talvez sem afetos agregados o Amor nem seja.
Ele chega de turma mesmo, para me pegar indefeso, encostar-me na parede e fazer seu bullying. Não tem jeito, é assim que acontece.
Tonto quem se acha preparado quando essa turma aparece.

Ensolarado com a Esperança, o Amor vem vibrante, carregado de futuros possíveis, tão felizes quanto incertos, já que não é ele o senhor do destino.
Faz-me menino.
E sonho com castelos nas nuvens, encorajo-me a enfrentar dragões. E torno-me herói das histórias que ainda não são. E torno-me vítima só para ser salvo igualmente.
Porque me dando corda para sonhar acordado o Amor me faz frágil e até inocente.

De braços dados com a Angústia ele traz também a Dúvida. Quem tem certezas quando ama? Angustiado, não sei se vou por aqui ou por ali. Qual o melhor caminho? O do roteiro traçado ou justo o que desprezei? Fico ou vou? Em qual paisagem eu seria mais feliz?
O Amor é hábil em gritar questões e silenciar respostas.
E me fazendo abrir mão de verdades deixa-me sem o chão das convicções. Ele me diz “se vire, decida", e me dá as costas.

E quando é par da Paixão? Aí ele chega mais tenaz. Faz-me olhar para o vazio e ver um rosto, ouvir o sussurro amado no silêncio, sentir aquele aroma numa brisa sem perfume, e na minha pele de hoje um beijo que só havia no ontem. Com essa amiga o Amor me tira do chão e me faz vulnerável. Tal qual uma droga me subverte a percepção dando-me as forças que não tenho, para ser quem não sou e fazer o que não posso.
E assim, apaixonado, me ponho a transformar tudo o que é meu em nosso.

E quando a Saudade com o Amor se alia, esse Amor que já não é, enevoa-se com a Tristeza e mistura-se com outros amigos tantos. Vem com o Arrependimento das bobas entregas mas com a Gratidão de cada delícia nelas vivida. Maturidade também chega. Impossível não aprender com as memórias do Amor que bateu asas. Ele veio, se foi, porém legou ausência cheia de sabores. O Amor-Saudade é também companheiro do Medo e da Dor de lá atrás ter sido adorado, e amanhã ser qualquer um.
Ah... e vem esse suspiro que é só saudoso, não é de queixa, mágoa corriqueira tão comum.
Pois é melhor ter muito amado, e ter sido amado, que não ter tido amor algum.

***

Qual o companheiro do seu amor? Que parte mais lhe tocou nesse texto? Abraços!
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A RAZÃO DO MEU SORRISO?




Você é uma pessoa "Apesar de" ou "Por Causa de"?


(texto de Kau Mascarenhas)


Começo a semana sabendo que a Dilma terá mais quatro anos no poder e que o meu time está descendo a ladeira da Segundona. E você deve estar questionando o porquê do meu sorriso. Poderia listar mil motivos mas pode ser que, simplesmente, o fato de escolher ser uma pessoa "Apesar de" seja o bastante para explicar. Pessoas "Apesar de" costumam pensar que as situações por si mesmas não podem ser justificativas para o binômio Felicidade/Infelicidade. Ser mais senhor dos meus estados me dá a possibilidade de escolher como reagir diante das situações e não de ser condicionado por elas o tempo inteiro. Apesar de não viver exatamente como gostaria, apesar de não ter todos os meus desejos concretizados, apesar de não ter tudo o que gostaria e de não estar ao lado de todas as pessoas que são importantes para mim, eu continuo vivendo, aprendendo e mudando. Procuro tirar de cada instante o seu sabor, e igualmente o seu impulso de crescimento. E por isso, hoje, sorrio.
As pessoas "Por Causa de" costumam viver dizendo que estão descontentes e desenergizadas por causa do marido, da esposa, da sogra, dos pais, do governo, do chefe, do trabalho... enfim, sempre colocam externamente os motivos pela forma como se sentem e como vivem. 
Ah, claro, também já tive os meus momentos "Por Causa de". Quem não os teve? 
E, é obvio, quando assim estive segui a filosofia do famoso personagem Homer Simpson que nos afirma "a culpa é minha - eu a ponho em quem eu quiser."
Se eu observar os problemas como coisas de fora nunca me sentirei capaz de resolve-los. 
Prefiro, portanto, lembrar que filósofos de épocas muito diferentes da história do pensamento, de Sêneca, na Roma antiga, a Sartre, existencialista francês contemporâneo, costumavam ensinar que "o mais importante não é o que o mundo faz conosco mas o que fazemos com o que o mundo faz conosco". 
A PNL - Programação Neurolinguística, minha principal ferramenta de trabalho corrobora dizendo que "o mais importante não é o fato e sim o que fazemos com o fato".
Quem sabe já chegou o momento de você também pensar diferente e fazer com que seu sorriso seja mais relacionado com suas deliberações, com sua forma de entender a vida, do que com as coisas do mundo. Assim, na próxima manhã você terá mais chances de acordar e sorrir também. Nenhuma garantia, apenas uma probabilidade maior. 
Se assim quiser, obviamente. 
Abraços com kaurinho e meu desejo de excelente semana apesar de... 

(Kau Mascarenhas)
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domingo, 19 de outubro de 2014

KAU NO CONGRESSO CBTD: O QUE FAZ UM PALESTRANTE DE SUCESSO?



É possível aprender a falar em público com excelência? Kau Mascarenhas falará sobre Segredos de Palestrante no CBTD - Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento. Um dos maiores e mais importantes eventos da área em nosso país! De 25 a 28 de novembro em Santos - SP.



Palestrando: O Sucesso Além das Palavras

(Artigo de Kau Mascarenhas sobre seu tema no CBTD)

Palestrantes excelentes no universo corporativo, sobretudo os que se especializaram em temas voltados ao desenvolvimento humano, têm-se destacado como profissionais muito bem remunerados e com fama semelhante à das celebridades do show business.

Quais seriam seus segredos que fazem a diferença, permitindo que nessa área recebam honorários semelhantes aos cachês de grandes artistas?

Por que alguns com igual nível de conhecimento, mesmos títulos, e com grande experiência não crescem nesse segmento, enquanto outros lotam auditórios e têm suas agendas absurdamente repletas de convites?

O segredo pode estar em sua comunicação, mas não especificamente nas suas palavras.

Expliquemos.

Apesar de ser um segmento dentro da atividade de falar em público, fazer palestras difere de dar aulas e de facilitar grupos, sendo uma atividade que exige o desenvolvimento de habilidades bastante específicas. Além de um palestrante ser notável pela comunicação verbal - que diz respeito ao conteúdo bem embasado e a uma boa estrutura - é imprescindível ter excelência em comunicação não verbal, que abrange aspectos relacionados com linguagem corporal e qualidades vocais.

Muitos entendem que o sucesso de alguém capaz de mesmerizar uma plateia deixando todos absolutamente ligados naquilo que está sendo dito, resulta de um poder subjetivo que normalmente recebe o nome de carisma.

A Programação Neurolinguística (PNL),- uma abordagem que trata da busca por excelência e sucesso surgida nos anos de 1970 nos Estados Unidos, nos traz a visão de que é possível reconhecer e modelar os padrões de comportamento, inclusive pensamentos e estados emocionais, de alguém que obtém grandes resultados. Assim, em outras palavras, até mesmo o carisma poderia ser ensinado e aprendido, a partir da observação criteriosa do modelo de excelência com a utilização de um método específico.

Existe, portanto, uma legítima possibilidade de reconhecer quais são os principais aspectos verbais e não verbais dos grandes nomes da oratória, aqueles que realmente se destacam, e quais as competências e comportamentos que estão a serviço do seu sucesso no palco, para podermos aprender e fazer parecido.

É importante lembrar que para a PNL o processo de modelagem não deve ser confundido com uma espécie de imitação, uma mera clonagem de jeitos e formas que poderia fazer alguém se descaracterizar ou se despersonalizar para conseguir o mesmo sucesso de outra pessoa. Não se trata meramente de tornar-se o outro para obter os resultados do outro.

A ideia é muito mais próxima à de um aprendizado com o modelo que serviu de referência, reconhecendo e adaptando seus padrões ao modus operandi do aprendiz, utilizando-os num fino ajuste com aquilo que ele já possui.

Comumente esses padrões não são conscientes para quem os tem. Quando falam sobre seu sucesso alguns simplesmente dizem eu vou lá e faço.

Entretanto, para quem observa um grande palestrante com olhos de modelagem, é possível perceber os padrões que repete, tais como o uso do repertório expressivo da face de um jeito especial, ou suas idiossincrasias em movimentos de braços e mãos, e até mesmo sua forma peculiar de lançar o olhar para a audiência.

Extraindo de grandes oradores alguns de seus padrões, podemos citar aqui alguns que se mostram efetivos nesses quesitos e que, para muitos, trarão resultados importantes.

Uma dica para a eficaz transmissão de confiança através do rosto é nunca estar de boca aberta caso ela não esteja sendo, naquele momento, usada para a fala. Quem fica com o maxilar caído e os lábios separados sem emitir sons é normalmente visto como bobo e não atrairá para si o olhar interessado da plateia.

Sobre os movimentos de braços e de mãos, eles devem atestar, confirmar, o que está sendo dito. E sempre que as mãos não estiverem cumprindo esse papel, a melhor posição para elas é ficar tranquilamente apoiadas uma na outra, com os antebraços paralelos ao chão.

Mãos escondidas nos bolsos ou atrás do corpo, ou ainda apertando-se nervosamente, bem como braços cruzados enquanto a fala acontece, são comportamentos que transmitem uma série de mensagens não verbais que desmerecem o processo de comunicação e dificultam a conexão do palestrante com sua audiência. Uma dessas mensagens é a de insegurança.

A respeito dos olhares, há algumas décadas certa dica foi ensinada aos conferencistas tensos para ajudá-los em sua tarefa: olhe acima da linha das cabeças, evitando cruzar seu olhar com os olhos do seu público.

Atualmente esse é um conselho considerado bastante equivocado.

Há quem perceba nos melhores palestrantes exatamente o contrário dessa orientação, ou seja, eles usam uma técnica chamada mirada dos três segundos. Trata-se de um tempo mínimo para se olhar exatamente nos olhos de pessoas-chaves da audiência, tempo suficiente para fazerem com que se sintam a eles conectadas. É possível escolher essas pessoas-chaves situando-as nos quatro quadrantes da plateia, e assim ao se olhar para uma delas as que ficam ao seu redor se sentem olhadas também.

Dessa maneira se pode efetivar um contato com todo o público e o rapport entre palestrante e espectadores fica garantido.

Muito se pode dizer acerca do poder não verbal que os grandes palestrantes possuem, e é importante lembrar que há pressupostos básicos regendo sua comunicação. Vejamos:

É impossível não comunicar - Sempre transmitiremos algo para quem nos observa, mesmo que estejamos em silêncio. Levando esse conceito às últimas consequências, podemos dizer que até mesmo nossa ausência acabará comunicando algo àqueles que nos esperavam. Já que não receberam qualquer aviso antes, explicando nossa falta, o nosso lugar vazio pode significar que demos pouca importância ao convite ou até mesmo que algo inesperado e ruim pode ter acontecido. Igualmente será impossível não influenciar. Isso é um importante aspecto para ser lembrado por palestrantes antes, durante e depois da sua apresentação no palco. E abrange de toda a expressão do seu corpo à roupa que veste.

Comunicação não é intenção e sim resultado - Aquilo que um comunicador tem como desejo nem sempre é o que se torna manifesto através da sua expressão. E a comunicação não será aquilo que ficou apenas em sua mente mas o que de verdade foi captado, percebido, compreendido pela sua audiência. Seria lamentável um palestrante abrigar em sua mente a crença: as plateias não me compreendem, são formadas por pessoas com pouca capacidade cognitiva. É muito melhor que se prepare, conheça bem o seu público, para que seu trabalho o alcance. Há, por exemplo, os que falam de forma muito difícil e consideram essa erudição uma espécie de vantagem, pois entendem sua audiência como uma ameaça a ser vencida. Excesso de intelectualidade poderia ser, para eles, um instrumento de sedução ou de domínio mas muitas vezes acaba apenas produzindo distanciamento. Nietzsche tinha um aforismo com oportuna metáfora para pessoas que pensam assim: são águas que se turvam para parecerem mais profundas.

A responsabilidade pertence 100% a quem quer comunicar - Se meu intento é que o conteúdo que tenho seja adequadamente recebido então será valioso que eu assuma toda a responsabilidade pela comunicação. Assim, em vez de dizer essa audiência não está me entendendo posso ressignificar o fato e reconstruir a forma de pensamento, alterando-a para o que posso fazer para que o tema chegue a esse público da melhor maneira possível?.

Sai-se, portanto, do você não me entendeu para o não me fiz entender, por isso falarei de outra maneira. Isso faz com que, dentro da ótica da PNL, a ideia vigente não seja a de que há muitos problemas de aprendizagem. Há muito mais problemas de ensinagem. Imagine alguém que diz: Deve haver uma dificuldade aí nessa porta, pois a minha chave, não consegue abri-la. Melhor seria: Preciso encontrar outra chave pois a minha não consegue abrir essa porta. O problema está em minhas mãos.

O certo é que os palestrantes de sucesso, aqueles cujos trabalhos em oratória ficam marcados em nossas mentes, têm um real poder hipnótico - nato ou construído - na forma não verbal de comunicar.

Na prática, por modelagem, o seu talento e a sua expertise podem ser pesquisados e compreendidos para servir como referência.

Essa importante competência pode ser aprendida. Longe de ser apenas uma bênção destinada a poucos sortudos que já nascem assim, ela pode ser moldada com base em referências: os padrões de excelência de modelos altamente eficazes em seus processos de comunicação.

O primeiro passo para quem quer melhorar na atividade de palestrar pode ser a busca de referências em pessoas que já têm sucesso nessa área. A observação criteriosa do que faz essas pessoas serem tão boas, de cada aspecto das suas qualidades vocais, expressões e movimentos é algo importantíssimo.

E um dos pontos que mais se destacam é a sua congruência.

Grandes palestrantes têm um maravilhoso alinhamento entre pensamento, palavra e ação. Tudo parece ajustado com seus valores e com o conteúdo que querem transmitir.

Coerência é uma das chaves da eficácia da maioria desses casos.

Parecem concretizar na prática o ensinamento do pensador americano Ralph Waldo Emerson, que alertava no século XIX sobre o funcionamento da mente daqueles que interagem conosco: "Aquilo que você é grita tão alto aos meus olhos, que não consigo ouvir o que você diz".

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Kau Mascarenhas é palestrante empresarial, escritor, sócio-diretor do ProSer Instituto e tem formações em Coaching e em PNL. Atende organizações de todo o país. É autor do livro Mudando para Melhor e do curso digital PNLPLUS. Saiba mais: www.pnlcursos.com.br

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SOBRE AMOR E COMUNICAÇÃO





Coração tem Boca

(texto poético e ilustração de Kau Mascarenhas)

Relações dependem da linguagem. Escorregadia, inconstante, libertina.
Em vez de pedir ao outro que pressuponha o seu amor, comunique-o.
Que tal deixar a pérola da palavra sair da concha? 
O silêncio pode ser um quarto seguro no qual seu coração se instalou acomodado.
Mostre-se e seja, com a sua vontade mais potente, sábia, heroína.
É uma pena quando o amor não sai, não se faz comunicado.
Para lindas histórias o Sol não nasce de novo em razão de carinhos não paridos.
Mas ainda é tempo: sinta e diga. Retire já essa mordaça assassina.
Declare-se sempre. Na fala, no texto, no gesto, no grito.
A vida é do jeito que é, e o sentimento que uma vez se expressou ainda precisa ser demonstrado. 
Se a rega da flor for somente num dia, ela se amofina.
E há corações que murcham por um "eu te amo" não dito.
Basta sair do Eu e cair na estrada do Nós para encontrarmos crenças e enganos:

Para quê a declaração se o tempo bobo da paixão já foi escoado?
Para quê o carinho em novas palavras se tanto testemunho já foi escrito?
Para quê a doçura dos primeiros tempos se já nos conquistamos de forma genuína?

Talvez a fala amorosa exista para que o carinho deixe de ser obrigação e se torne de novo delícia.
Quem sabe até a declaração não sirva mesmo para nada? Não precise de para quê, e valha por si.
E depois da paixão, que venha o amor também em palavra e carícia.
E depois desse amor, que não se eternize uma seca e muda rotina. 
Como somos seres mergulhados em definições, um sinônimo de sentimento não dito é sentimento maldito. 
Porque há laços que se desfazem por declarações não feitas. O silêncio é ave de rapina. 
Enfim, um portal do coração pode ser o ouvido. 
E se a ideia "Deus é Amor” faz sentido...
…a boca tão humana delatando o coração, renova a conexão, reconstrói o sentimento, e assim se faz divina. 

A propósito, você já disse “eu te amo” hoje? 

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Vamos falar de Amor, Vida a Dois, enfim, comunicação nos âmbitos pessoal e profissional. Que tal?
Gostaria de sugerir algum ponto em especial que mais lhe interessa dentro do tema? Pode dizer para nós aqui. Abraços com kaurinho!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

RELACIONAMENTO: MAREMOTO OU CALMARIA?



Como está o mar do seu amor?
(Texto e ilustrações de Kau Mascarenhas)


Cada ser humano é único, uma individualidade encantadora por ser singular. 
E o coração de uma pessoa é totalmente diferente dos corações existentes ao seu redor, inclusive o do seu par amoroso.
Aquilo que vale para um pode não valer para o outro.
Os meus pais para mim foram sempre um exemplo de como pessoas muito diferentes podiam estar juntas. Ele, hiper tímido e quieto, ela absolutamente elétrica e vivaz. 
Na comunicação do meu pai, entretanto, havia às vezes algumas explosões emocionais quando eventualmente brotavam discussões. E para ela a forma de lidar com as confusões era apaziguar, contemporizar, acalmar e acolher.
E o que eu aprendi com eles? Amor também se demostra com respeito.
Há diferenças cruciais na forma como se entendem as maneiras de ser feliz e eles não consideravam diferenças como defeitos.
E por isso os maremotos não precisavam durar muito tempo.
No âmbito dos relacionamentos é impressionante a pluralidade de compreensão do que é uma vida a dois satisfatória ou plena. 
Já estive em contato com pessoas que adoram viver de forma tranqüila às suas relações, enquanto outras gostam de um certo agito. Para elas, tumultos são bem-vindos. 
Há aqueles que dizem gostar de uma forma de se relacionar mais suave e não entendem porque se envolvem em complicações constantes, brigas, discussões. 
Normalmente quando algo se perpetua, se mantém indefinidamente mesmo sendo considerado ruim, cabe fazer uma pergunta: quais os benefícios (ganhos) que você tem quando permite que isso ainda ocorra? Normalmente são ganho inconscientes. 
Subpersonalidades nossas, lá na sombra de nossa alma, ainda acreditam que haveria perdas com a mudança e não estão dispostas a arriscar. 
Há crenças que vigoram na vida infeliz de certos casais como "ruim com ele, pior sem ele", ou "melhor não trocar o certo pelo duvidoso", e ainda "já estamos juntos há tanto tempo, não há como mudar." 
Trazer essas convicções à consciência pode representar o primeiro passo. 
Lembre sempre: uma crença é muito hábil em assumir o disfarce de verdade. Flexibilizá-las será fundamental para mudar essa realidade e buscar uma convivência mais feliz para ambos.
Mudar uma crença é um grande passo para a mudança de um comportamento.
Será fantástico quando os dois se comprometerem a construir uma relação feliz em vez de apenas querer ter a razão. 
Sempre recordarei do quanto era bonito ver meus pais depois de uma discussão sentarem juntos no sofá e conversar de mãos dadas. Queriam de verdade se entender e não vencer o debate.
Logo após percebia os dois abraçados vendo a novela sorrindo.
Provavelmente você, assim como eu, sabe o quanto é doloroso viver ao lado de alguém que só tem certezas e não abre mão delas. 
É bom observar também que maremotos, violentos à primeira vista, podem ser importantes para fazer surgir algo oculto. 
Inocentes calmarias, por sua vez podem ocultar corações sangrando em silêncio.
As relações acabam sendo um oceano que se transforma o tempo todo com o dinamismo das marés, dos ventos… Aproveitemos cada uma de suas manifestações.
E será decisivo que no barco os dois remem em absoluta sintonia, e no melhor ritmo para ambos.

(Em breve um novo webnário com Kau Mascarenhas sobre Relacionamentos. Quer saber mais? Entre na página www.pnlcursos.com.br e digite seu email em "Quero Receber" para acompanhar sempre nossos materiais gratuitos)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

QUAL O PAPEL DAS CRENÇAS NO SUCESSO DAS EQUIPES?

Aquilo em que você e sua equipe acreditam transforma o resultado do seu trabalho. 
Crenças - nelas nós habitamos. Vivemos exatamente aquilo em que acreditamos. Sucessos ou fracassos no âmbito do trabalho também decorrem dos nossos modelos mentais. 
Nesse workshop trataremos desse tema importantíssimo no âmbito profissional! 
Vagas limitadas!



terça-feira, 5 de agosto de 2014

CURSO DIGITAL COM KAU MASCARENHAS: PNL-PLUS




Você já parou pra pensar sobre quais os padrões de excelência de uma mente de triunfo? O que as pessoas de sucesso têm em comum? Tudo isso está reunido em nosso curso digital PNL-PLUS que está em pré-lançamento! São 7 video-aulas de Kau Mascarenhas com técnicas comprovadamente eficazes para disparar aprendizado, crescimento e mudança e mais 6 bônus fantásticos! E você pode acessar de onde estiver e quando quiser. Aproveite essa chance de conhecer conteúdos valiosos que podem disparar mudanças significativas em sua vida! O curso reúne PNL - Programação Neurolinguística, Coaching e Filosofia para levar até você um conjunto importante de conceitos e técnicas que buscam ajudar a construir AGORA o seu Futuro Predileto! Garanta hoje mesmo esse rico material! A promoção de pré-lançamento acabará no dia 07/08. O maior amigo do seu sucesso é você mesmo, e se você não fizer algo por sua felicidade quem o fará? Mude sua vida. Conheça PNL. 
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WORKSHOP: O PODER MOTIVADOR DAS CRENÇAS






Você sabia que pessoas afetam pessoas? Que humor, estados emocionais e convicções podem ser viróticos? Quer saber como as crenças que temos podem contagiar positiva e negativamente sua equipe de trabalho? Esteja conosco no Workshop sobre o Poder Motivador das Crenças no Trabalho em Equipe. Kau Mascarenhas se utilizará de PNL, Filosofia e Coaching para ajudar você e sua equipe a conseguir mais resultados. Grandes transformações num workshop repleto de reflexões e de poder motivacional! Dia 16/08, sábado, das 9:00 às 13:00h! Garanta a sua vaga e as do seu grupo!
Local: Auditório do Empresarial Thomé de Souza, Iguatemi, Av. Antônio Carlos Magalhães, Salvador.
Investimento:
R$ 150,00 (a vista) ou 2 X R$ 85,00
Informações:
Anima - (71) 3017-9235 / 8113-3911 / 3017-2502

terça-feira, 29 de julho de 2014

O SABOR DE UM INSTANTE


O que me traria maior paz que o teu carinho gostoso numa tarde lilás?
(texto e desenho de Kau Mascarenhas)





Deixar o tempo passar ao lado de um ser amado quando a ocasião é prazerosa para ambos. Momentos de paz degustados a dois.
Há momentos em que fazer coisas junto com alguém especial é algo muito bom e há aqueles outros em que o bom é justamente nada fazer, estando em ótima companhia.
Qual o benefício? O de simplesmente Ser, junto, o de saborear a delícia de nada produzir e de ainda se poder viver o encontro quando o mais comum é pragmaticamente somar forças para a construção de algo.
Num mundo onde se construiu uma ideia de sinergia como a junção de poderes individuais para a obtenção de um poder maior, sistêmico, apenas a serviço da obtenção de alguma meta, a ideia de estar por estar pode parecer um contra-senso.
Entretanto aqui tratamos dos instantes plenos a dois, que não são instrumentos para outra coisa à frente; deliciosas horas que valem por si mesmas e que alicerçam relacionamentos saudáveis. É bom estar com você para fazermos algo juntos, e é bom igualmente estar com você para nada fazermos, tão somente porque é bom estar com você.


Receba materiais gratuitos exclusivos do Kau inscrevendo-se em www.pnlcursos.com.br/cadastro
E participe do nosso webnário gratuito pela internet. Nessa palestra de 2 horas Kau falará sobre Autoestima. Uma grande chance de fazer ótimas reflexões. Reserve sua vaga:

quinta-feira, 24 de julho de 2014

UM ENCONTRO TRANSFORMADOR SOBRE AUTOESTIMA E METAS

Essa é a página de inscrições para o nosso webnário sobre "Autoestima e Alcance de Metas" que acontecerá no dia 31/07, quinta-feira, às 20:00h. Pode deixar seu alô para nós e fazer seu cadastro reservando lugar para assistir on line a esse bate-papo tão importante e transformador com Kau Mascarenhas, ao vivo! 
Lembre que as vagas são limitadas. 
Reserve agora mesmo a sua: http://www.pnlcursos.com.br/cadastro-webnario/



terça-feira, 22 de julho de 2014

ENTREVISTA NO JORNAL DA MANHÃ SOBRE O MEDO DE SER TRAIDO

Olá, amigos! Já está disponível a entrevista que dei hoje no Jornal da Manhã, TV Bahia, sobre o medo de ser traído. Basta clicar aqui: 
http://g1.globo.com/videos/bahia/jornal-da-manha/t/edicoes/v/pesquisa-aponta-que-a-traicao-esta-entre-os-principais-medos-do-homem-baiano/3512958/

Quem quiser dicas, miniaulas e saber sobre nossos cursos, pode se cadastrar em:
www.pnlcursos.com.br/cadastro





SOBRE MEDO, TRAIÇÃO E O MEDO DA TRAIÇÃO
(Kau Mascarenhas)

Recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia revela que os maiores medos do homem brasileiro estão na seara dos relacionamentos, tais como o medo de não "funcionar" sexualmente e o medo de ser traído.
Superam inclusive o medo da violência urbana, de assaltos etc.
Para os baianos entrevistados o medo da traição foi aquele que liderou o ranking.
O que poderia explicar esse tipo de temor? Quais as suas consequências? Poderia existir uma profilaxia comportamental, reduzindo possibilidade de traição?
Apesar de considerar muitos aspectos filosóficos, psicológicos e neurocientíficos que serviriam para tratar a questão, pretendo fazê-lo aqui de uma maneira "light" e no final deste artigo quero apresentar três dicas para não ser traído.
Realmente é um tema intrigante. E há brincadeiras e piadas aos montes acerca do assunto, não?
Tanto é assim que, as palavras que designam o traído são bastante ofensivas, transformaram-se em xingamento lançado até para quem nunca foi traído. 
Curiosamente, recai sobre o traído um certo desmerecimento, costumeiramente, e não sobre quem mentiu e trapaceou em seu contrato de exclusividade no relacionamento.
Olhando essa questão pelo viés da natureza, os machos de uma espécie, se formos considerar o apenas o gênero, vivem numa eterna disputa para deixar à posteridade a sua carga genética. 
Por isso lutam, afastam seus oponentes, buscando ser o alfa do seu grupo a qualquer custo.
Isso vale para pássaros e peixes, bisões e gorilas, bem como para o homem. 
Como desconsiderar esse fator competitivo que a própria biologia impõe?
Além disso, pela ótica socio-cultural, há uma pressão fortíssima para que o homem seja capaz, produza, faça bem feito, seja um bom provedor.
Isso produz grande confusão entre comportamento, capacidades, crenças e identidade firmando circuitos neurais que alicerçam o pensamento: fiz - tenho capacidade - homens têm capacidade e precisam mostra-la em ações - sou um homem de verdade.
No caso de um homem que é traído, é provável que haja uma conexão neurolinguística do tipo: não consegui mante-la apenas comigo - não tive a capacidade de te-la só para mim - homem que é homem consegue suprir todas as necessidades de sua parceira - se não sou capaz disso sou um fiasco enquanto homem.
Um caminho neural como esse é capaz de, em alguns casos, arranhar a autoestima de alguém. Em outros pode devasta-la.
É bom lembrar que são diversos os motivos que podem levar alguém a uma traição, desde a real insatisfação com o relacionamento até mesmo outros mecanismos que têm muito mais a ver com quem trai do que com quem é traído.
Quantas pessoas precisam estar numa busca constante de emoções diferentes para que se sintam animadas e felizes?
Quantas, ao iniciarem a relação, não conseguiram revelar que exclusividade sexual é um padrão no qual não podem se encaixar?         
Quantas amam seus parceiros mas têm desejos e fetiches que não podem expressar, temendo ser consideradas "sujas", "levianas" ou "indignas de respeito"?
Por outro lado, observando a experiência com foco em quem é traído, não desmerecendo sua identidade mas, analisando possibilidades:
Comporta-se como se o par não tivesse importância?
Persegue o par com questionamentos e investigações pressupondo traição?
Acomoda-se e deixa de notar quais são as necessidades de um e do outro na relação?
Assim sendo, é possível que se admitam responsabilidades em ambas as partes, não existindo portanto, vítima nem algoz.  
Ao sabermos que o baiano, de acordo com a pesquisa citada, tem tanto medo de ser traído, me ocorre um outro tipo de afeto ou emoção que também faz apequenar o "gás de viver". Trata-se da vergonha.
Parece-me que o homem baiano se sente temeroso pelo fato de não querer ser o tema das fofocas, das resenhas e papos de boteco dos seus amigos e colegas. Talvez seu jeito expansivo faça com que sinta vergonha pelos julgamentos que, segundo crê, as pessoas farão a seu respeito, coisas do tipo: não foi capaz, não deu conta, não soube fazer a "manutenção e abriu espaço para a concorrência".
Por fim, vejamos as prometidas dicas para não ser traído. Apesar de levar em conta a imprevisibilidade da vida e a falibilidade humana, arrisco aqui expor ideias que podemos considerar profiláticas:
1- Se não quer ser traído, não traia. A congruência pensamento-palavra-ação é fundamental para uma convivência saudável. Quando alguém não quer algo para si, mas produz esse algo na vida do outro, parece que se abre a receber do "destino" a possibilidade de ser colocado do outro lado da mesa em algum momento. Questão de karma? Energia? Talvez não. Quem sabe a culpa, consciente ou inconsciente, seja a grande responsável por atrair eventos e promover situações?
2- Se não quer ser traído, não aja como se isso estivesse acontecendo. Há pessoas que acusam, pressupõem, imaginam e crêem que suas alucinações são a realidade. A PNL, programação neurolinguística, costuma dizer que não reagimos aos fatos e sim às nossas interpretações dos fatos. Se um homem acredita que está sendo traido agirá com sua esposa ou namorada como se ela efetivamente estivesse pulando a cerca. Mesmo que não tenha qualquer dado de realidade, nenhuma comprovação. Seu comportamento mudará, portanto, e será ríspido, pouco carinhoso, e se posicionará como um detetive e não como um companheiro. Isso fará com que seu par comece a se sentir mal dentro da relação, e isso pode promover desinteresse. O Talmude nos diz que "não vemos as coisas como elas são, vemos as coisas como nós somos."
3- Se não quer ser traído, declare seu amor. Fale sobre seu afeto, diga o que sente, expresse o quanto o outro é importante para você. Sabemos que há pessoas cujo canal dominante é o auditivo (pesquisas de sistemas representacionais da PNL). Para essas pessoas as ações que testemunham o amor não são o bastante. Elas precisam escutar com todas as letras que são queridas, que são amadas, por aqueles que lhes são caros.
A propósito, meu rei, você já disse "eu te amo" para seu amor hoje? Não? Nem sequer mandou um Whatsapp?
Que tal fazer isso agora? É importante expressar.
Quem avisa amigo é...