terça-feira, 4 de outubro de 2011

58- DESAPEGO



DESAPEGO - Texto para meditação de Kau Mascarenhas (do livro "Mudando para Melhor" - ed. Altos Planos)

Abro mão da estabilidade estéril que me impede de crescer.
Sou como a chuva que um dia foi lago, riacho e oceano. Ascendi com o beijo quente dos raios de sol e hoje me derramo para fertilizar outras vidas.
Abro mão da rigidez que me convida a ser sempre a mesma coisa.
Sou como as estações que se sucedem e povoam de flores, frutos, chuva e sol o ano dos seres - cada coisa em seu tempo e lugar.
Abro mão da acomodação preguiçosa que traz segurança e ao mesmo tempo cristaliza as ações heroicas que minha alma quer realizar.
Sou como a borboleta que arrisca rasgar seu casulo e sair. Sobretudo porque a natureza não lhe oferece um convite - nesse caso ela é imperativa.
Minha vida segue feliz pois sei deixar uma margem e partir para outra.
Minha vida segue feliz porque sei quando é o momento de fechar um capítulo em minha história.
Minha vida é feliz pois agradeço a tudo o que já me chegou pela contribuição que trouxe e, com o peito cheio de paz, despeço-me, abrindo assim espaço para novas experiências.
Não retenho, não enclausuro nem me apodero daquilo ou daqueles que chegam a minha vida, apenas reconheço o que sinto para em seguida deixar ir, abrindo espaço para o que vai chegar.
Não me desespero, não me aflijo nem blasfemo com os instantes de desfazimento que uma perda ou uma transformação promovem. Antes, agradeço a Deus pelo bem que é a renovação contínua.
Portanto, deixo ir.
Sou feliz em ver que o momento de construção sempre aparece depois do momento de destruição. Sou feliz por saber que sou uno com o fluxo da vida.
Sou como a água da chuva que se recicla, estações que chegam e se vão demolindo e construindo as paisagens, e borboleta que arrisca voar mesmo tendo passado parte da vida presa ao chão.
Com reverência, deixo ir o que é velho para abraçar o novo em minha vida.
Sou feliz, também por ser capaz de desenvolver em mim o amor desapegado.
Sou feliz, Verdadeiramente, sou feliz.



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2 comentários:

Lya Britto disse...

Adorei o texto, é a minha reação foi exatamente transformadora, comecei a pensar mais em mim, como ser mortal, não apenas em questão de egoísmo mas de valoriazação...
Parabéns pelo blog...

Nanna disse...

Kau,
já li de quase tudo nessa minha vida...e suas palavras me tocaram profundamente, pois, de uma maneira ou outra, tento o desapego e quase sempre consigo. E sempre m senti meio esquisita, pois sempre abri mão das coisas com muita naturalidade. E achava q deveria haver algo de estranho nisso. via tanta gente agarrada, consolidada em bens materiais e em sentimentos que nao mais frutificavam...e me sentia um peixe fora d'agua.
Agora não mais m sinto assim...sei que estou no caminho certo das reconstruções cotidianas e minha maneira de ver o mundo,
obrigada!!
texto lindo, lindo!