terça-feira, 19 de outubro de 2010

35- APENAS TE VIVIA

Foto de Kau Mascarenhas: Cupidos numa fonte em Versailles - França

Fuçar as próprias coisas, sobretudo mexer em velhos textos, torna-se uma verdadeira auto-arqueologia.

Tal qual o sujeito na Grécia que dá uma topada numa coisa e quando vai olhar com calma percebe tratar-se do cucuruto de um deus mitológico feito em mármore quase completamente enterrado. Escava daqui e dali e... tchan tchan tchan tchan! Faz o achado importante de um sítio arqueológico valiosíssimo com 1.500 anos de idade.

De vez em quando, acidentalmente, surge um texto que eu não lembrava ter escrito. Pois é... hoje eu me preparava para dar aulas, eram 5:30 da madruga, sol nascendo por detrás do horizonte da praia de Armação em minha janela, e o laptop me mostra uma poesia que fiz há bastante tempo.

Ela fala de vidas que ficam vazias quando alguém se anula, esquece de si mesmo, por causa de um relacionamento.

Eis que surge, serendipticamente, um novo sítio de escavações, e recordo um tempo em que me apaguei por alguns anos para me encaixar naquilo que alguém queria que eu fosse. Resolvi compartilhar com você. Ah! Vale dizer que, no fundo, a escolha será sempre nossa.
Se você viveu - ou vive - algo assim, acredito que vai se identificar com esse texto poético. Saboreie, portanto.

Buon appetito!


Kaurinhosamente,

Kau
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Apenas te vivia
(de Kau Mascarenhas)

Olho para trás dos calcanhares,
E vejo passos que não são os meus.
Fiz caminhos que para mim escolheste,
Na ânsia de aceitar os nortes teus.
Eu te dei a força com que te abasteceste,
Enquanto minha alma doída se enfraquecia.
Ouço os rumores dos muitos mares,
Pelos quais transitaste com bravura.
Não as ondas com que meu eu sonhava,
Tampouco ecos das montanhas
Que me desafiavam com sua altura.
Só as lutas em que tua coragem aparecia...
Sinto não ter voado em meus próprios ares
Faltou em mim vontade, coragem, decisão.
Porque eu passando pelo mundo sem deixar marcas,
Firmaste as tuas pegadas em meu chão.
Fiz assim minhas passadas bem mais fracas.
E não me mostrando ao mundo, apenas te vivia...
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

34- O BOM DA VIAGEM

Foto de Kau Mascarenhas: Minha pegada na neve / em Connecticut - EUA


Por quanto tempo ainda atribuiremos um preço para nossa felicidade?
“Quando conseguir me casar serei feliz.”
“Quando estiver com um emprego melhor serei feliz.”
“Quando me curar de tal doença serei feliz.”
Quem pensa dessa maneira age como alguém que quer tocar a linha do horizonte, sem se dar conta de que nunca haverá condições 100% ideais para a felicidade e, ao mesmo tempo, em qualquer situação em que nos encontremos, existirão aí diversos motivos para viver com bem-estar interior e contentamento.
Parece que muita gente vive seus dias de forma tão automática que acaba não valorizando o momento presente. Ou não sabe observar quando as bênçãos da vida já estão em suas mãos.
Uma história antiga conta que um peregrino havia vendido tudo o que tinha para comprar de um mago um pergaminho proveniente da antiga biblioteca da Alexandria. O tal documento tinha um mapa e instruções de como poderia ser encontrada a pedra filosofal.
Tratava-se da mítica pedra que, ao tocar em qualquer metal, produziria um fenômeno alquímico e o transformaria em ouro.
O peregrino traduziu as instruções e a princípio se sentiu desanimado: teria que viajar até o Mar Morto e, em determinado ponto à sua margem, deveria procurar uma pedra quente. Sim, enquanto todas as pedras das margens eram frias, a pedra filosofal tinha temperatura quente. Era apenas essa a maneira de reconhecê-la.
Depois de ler aquelas orientações e de ficar imaginando, inicialmente, como seria difícil obter o seu tesouro, respirou fundo e se lançou na jornada. Para ganhar maior entusiasmo, começou a imaginar o quanto seria boa sua vida quando estivesse com tamanha riqueza em seu poder. Colocou ali, naquele ponto futuro, toda a sua esperança de ser feliz.
Passou por vários lugares lindos durante a viagem, mas nada o encantava. Nunca parou um minuto sequer para ver, com enlevo, a beleza das paisagens.
Conheceu pessoas e não lhes deu qualquer atenção, apenas queria chegar ao seu destino pois era lá que encontraria a riqueza e a felicidade. As vozes de qualquer uma delas, dizendo-lhe palavras amorosas de incentivo ou lhe declarando amor e respeito, não encontravam em sua mente qualquer eco. Eram sopros de vento, vazios e sem significado.
Negligenciou descanso, pois dormia muito pouco. Esqueceu-se da importância da alimentação e passava vários dias sem levar qualquer comida à boca.
“Caminhar ao máximo, nos limites das minhas forças, sempre em frente, para mais rapidamente chegar ao meu destino.” – era com esse pensamento que sua mente se mantinha ocupada.
Depois de anos em sua viagem, chegou ao ponto do Mar Morto que o mapa apontava. Sentia-se cansado, estava doente, mas pelo menos considerava-se mais próximo da felicidade.
Iniciou, então, seu processo de busca agachado na praia. “Será simples, e não importa quanto tempo leve. Pego as pedras, inúmeras a cada dia, quando forem frias eu as atirarei no mar, até que encontre a pedra quente que é o meu tesouro.”
Começou seu trabalho.
Os dias viraram semanas, e essas viraram meses. Após alguns anos de procura, agindo de forma mecânica, numa manhã cheia de sol ele recomeçou sua tarefa.
Sua pele estava enrugada e cabelos brancos em sua barba grande denunciavam a velhice que precocemente havia chegado. Com sua autorização.
E lá foi ele, lançando-se em seu labor diário, varrendo com seu toque muitos metros de praia por dia:
Pegava uma pedra nas mãos. Era fria. Lançava bem longe no mar.
Pegava outra. Era fria. Jogava, a seguir, bem longe lá adiante.
Já nem pensava mais no que estava acontecendo. Seu coração estava no futuro.
Dias, meses, anos... fazendo a mesma coisa.
Pegou mais uma. Era fria. Lançou-a no mar automaticamente.
“Que maravilha de castelo terei quando possuir a pedra filosofal!”
Pegou mais uma. Igualmente fria. Lançou-a bem longe, na água.
“Terei escravos, muitos cavalos, todas as mulheres que quiser, terras e barcos”
Tocou mais uma. Era quente. Nem percebeu. E atirou-a na água. Bem longe...
Quando se vive fora do presente, é possível que coisas assim aconteçam. E não é apenas para quem vive de fantasias ou concentra sua vida nas expectativas que geram ansiedade. Mas para aqueles outros que vivem no passado, amargurando-se por relembrar dores, revivendo mágoas, alimentando ressentimento ou culpa.
O Bom da Viagem é, de fato, a estrada. “Viver cada passo que se dá”. Que tal viver o agora? Quantos motivos você já tem para ser feliz? Que tal observar neste momento os tesouros que já se encontram nas suas mãos? Vários recursos já lhe foram entregues: saúde ou paz, amigos ou força, sensibilidade ou inteligência. Ou tudo junto.
Ao invés de ficar atento ao que lhe falta, experimente observar o que já possui. Isso ajudará você a seguir em frente e a obter ainda mais da vida. Senão, pode ser que mais tarde você venha a dizer: “eu era feliz e não sabia.”
Tenha certeza: a pedra quente já é sua e está em suas mãos.



Foto de Kau Mascarenhas: minha pegada - Alto Paraiso / Goiás
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O Bom da Viagem
(letra, melodia e interpretação de Kau Mascarenhas, arranjos de Marquinho Carvalho)



Eu não quero mais saber de tanta culpa.
Eu não quero mais barrar os meus caminhos.
O que eu quero é seguir com liberdade.
Sei que nessa estrada não vou estar sozinho.
Já errei, me arrependi de tanta coisa.
Mas agora quero sempre acertar.
De que vale o olho que só chora os erros
Dessa forma ele não pode enxergar
Que o bom da viagem é a estrada
O bom da viagem, é caminhar
O bom da viagem é a andança
Viver cada passo que se dá.
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Algumas pontos de reflexão que a música e o texto oferecem para sua busca de autoconhecimento e transformação, bem como na preparação de palestras ou trabalhos de grupo:
Observar o presente, sair da ansiedade pelo futuro, abandonar amarras do passado, afastar-se de culpa e mágoas, perceber os recursos que já se possui hoje, concentrar atenção no que se tem e não no que falta. Valorizar, desfrutar e saborear o agora.
Confira o vídeo-clipe dessa minha canção. Gravado em Connecticut, Estados Unidos, foi dirigido e editado por Beto Cabral.
http://www.youtube.com/watch?v=UdirRs6tBJs

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

33- DAQUI A QUATRO ANOS


E como dizia nosso caro Bezerra de Menezes: "Os maus assumem quando os bons se omitem".


Creio que a política brasileira assusta pessoas do Bem por causa da crença generalizada de que é um contexto onde somente vão aqueles que são corruptos. Acredito que vale quebrar esse paradigma e levar ao Legislativo e, sobretudo, ao Executivo, pessoas que se notabilizem pelos valores nobres que abraçam, pela ética e por representarem os interesses reais da população.


Ainda não foi dessa vez... Marina não está no segundo turno. Mas caminhamos para o despertar da maioria e daqui a 4 anos haverá chance maior de ver Brasília como um lugar livre de mensalões, falcatruas, e tantas vergonhas com as quais temos que conviver sendo brasileiros. Um lugar onde não haja tanto escândalo, e cujo aparecimento gere indignação ao invés de indiferença e impunidade.


Um dia esse país terá Tiriricas apenas na TV, corrupção apenas nas infelizes lembranças, e as cuecas servirão apenas para abrigar nossas partes íntimas e não para carregar o dinheiro sujo das maracutaias. Amém!